Ficara por mais de meia hora a fitar a tela do computador sem saber, ao certo, o que escreveria.
O vazio era tão intenso que chegara a ouvir o silêncio cortante de seu próprio interior.
Lembrara-se, naquele mesmo dia, sem saber o porquê, de um dos vários momentos tristes que vivenciara em sua vida.
Assim que soubera-se largada do pai de seu filho, vira-se sozinha (uma constante em sua vida) sem ter o que comer ou o que oferecer ao seu filho. Fora, por 14 anos, um ser sem sentido. Não vivera. Esquecera-se de si e de seu aprimoramento intelectual, em troca da evolução daquele que julgara ser seu companheiro para o resto de sua vida. Comparava-se a uma ameba, antes de ser abandonada.
Acordara tarde demais.
Enfim, lembrara-se naquele momento de que alguém bem próximo dissera-lhe assim que recebera uma pequena parcela do que seu filho (se é que ele tem preço!) valia. Ouvira, entre gargalhadas, que deveria comemorar com a família.
Sem entender o que acontecia, desconectada e desorientada, com um nó na garganta, levara seus entes a um restaurante a fim de comemorar...
Perguntava-se, tão somente, o motivo. Comemorar o quê? O recebimento da quantia? O término drástico de um casamento frio que poderia ter sido extinto de maneira menos cruel? A dor de seu filho chamando pelo pai sem ter entendido (até o presente momento) a razão pela qual o mesmo fora embora?
Comemorar o quê!?
Lembrara-se, também, de ter ouvido do "tirano": "Seu marido foi embora por você ser uma mulher frígida". Aos prantos, no mesmo dia, ouvira "daquela que nunca fora amada" que não poderia ampará-la naquele momento (um dia após a partida "daquele que não devemos mencionar"), pois estaria atrasada para as compras do mês.
Começara a cansar-se de ter essas estranhas e incômodas lembranças que surgiam do nada. Costumava por a culpa em sua ex-psicóloga que - agora - livre de seus problemas, desejara-lhe cura e paz.
Cura e paz...vá pro inferno!
Abrira-lhe a Caixa de Pandora e deixara-lhe sozinha com "aqueles que vão e voltam sem piedade".
Outra lembrança que não saíra de sua mente durante esses dias. Estranhos dias. Guardara na memória aquele homem que por uma noite a fizera feliz.
Ela - por não saber lidar com carinho - mais uma vez o expulsara de sua vida e agora amargara a dor da lembrança de ter estado em seu colo, ouvindo uma doce música por ele cantada.
Queria-o de volta. Queria-o como colega, amigo, amante. De qualquer maneira, desde que pudesse ter alguém que a abraçasse durante aqueles estranhos dias, onde tornara-se invisível aos olhos "daquele que mais ama no mundo".
O pobre menino - adolescendo - já não a rejeitava tanto quanto antes. Porém, ainda não a via...não a enxergava mesmo diante dele, com os olhos cheios de lágrimas e de sua boca sem voz...
Quisera morrer em um abraço. Nos braços daquele que um dia fora tão doce e gentil com ela. Ao seu lado, sentira-se vinte anos mais nova! Vinte anos mais viva!
Brincavam como crianças, entre tapas, beijos e carinhos inocentes.
Lembrando-se dele, sorria sem querer...
"Perdão" pensara. "Não me ensinaram a aceitar elogios, carinho."
Quisera uma chance...só uma.
31/05/2013 - 21h33m
A mensagem que esse filme tenta passar é valiosíssima!
Trata-se de lutar pelo que se quer. Trata-se de lutar pela verdade, pela liberdade, sem jamais se esquecer da lealdade.
Lealdade - acho que alguns não entendem o verdadeiro
sentido dessa palavra. Confundem-na com fidelidade, que é apenas um pacto entre corpos.
Lealdade é um pacto entre almas.
Consigo esquecer a infidelidade, mas a deslealdade não.
É algo como tirar-lhe o chão onde pisa, o pão que te sustenta.
Deslealdade é arrancar-lhe a confiança na humanidade. É fazer com que se deixe
de acreditar que vale a pena estender a mão ao próximo.
E quando lhe tiram
isso, nada mais lhe resta. A infidelidade desnorteia, desorienta.
O Ator e diretor Mel Gibson fora perfeito ao criar o filme "Coração Valente - Braveheart"
A cena em que willian wallace se vê covardemente traído por seu então amigo, Robert The Bruce, mostra-nos, com perfeição, o que um coração leal sente ao ser
ferido em seus princípios. A expressão de desesperança, de amargura, de
desespero silencioso em seus olhos é tão impactante que penetra em minh'alma, em todas as vezes em que assisto a esse filme. E não são poucas as vezes!
Antes a tortura a que ele é submetido ao final do filme, sabendo-se próximo à morte, onde se entrega aos seus valores (raros valores) de corpo
e alma, sem temer a dor física pois, a dor moral que sofrera anteriormente, com
a deslealdade daqueles em quem ele confiou, fora bem maior.
Hoje, após ter aprendido o que aprendi, tenho a lealdade como a maior virtude
do ser humano.
Onde há lealdade, há amor, compaixão, misericórdia, piedade, benevolência,
solidariedade. Um coração leal jamais machucaria alguém, por saber a dor que isso lhe causaria. Um coração leal coloca-se sempre no lugar do outro. Não deseja ao próximo o que não desejaria
para si mesmo.
Ser leal é uma tarefa árdua, solitária. Ser leal "é servir a quem vence o
vencedor".
Tenho incontáveis defeitos, mas possuo um coração leal. É a única herança que
posso deixar ao meu filho.
Não há dor maior do que se encontrar com a deslealdade.
Um cão consegue ser
mais leal do que muitos que se dizem humanos.
Inquisição Espanhola. Época da Escuridão da Humanidade. Medo, desespero, perseguição, fuga, morte.
Vejo fogo. Chamas bruxuleantes. Labaredas. Vejo, logo a seguir, um anel, à altura de minha boca. Fora obrigada a beijá-lo. Imunda, quase despida, roupas rasgadas, cabelos em desalinho, desesperada, peço-lhe ajuda. Imploro-lhe uma chance de viver por nosso filho. Grito para que recorde de nossos momentos, naquele quarto, naquela cama, aos pés do Crucificado.
Olho ao redor e vejo, indefesa, rostos patibulares acusando-me de seduzir aquele homem que um dia jurara-me amor eterno. Aquele a quem julgava puro e que, naquele momento, a fim de receber os benefícios de um delator que - diante do Inquisidor - teria seu status inabalado e recompensado, jogara-me nos braços imundos daqueles homens cruéis e famintos por carne fresca. Compraziam-se em torturar mulheres inocentes cujo único pecado seria o de nada esconder. O de viver plenamente, crendo em Uma Força Maior que ainda não conheciam totalmente.

Fora exposta à torturas inimagináveis. Pedira, por muitas vezes, ao acordar após uma série de golpes extremamente dolorosos, que matassem meu corpo. Cuspia-lhes na cara, esbravejando que minh'alma jamais se curvaria àquele Deus impiedoso. Vira-o, por diversas vezes, acompanhado por seus superiores, a fitar-me com um desespero velado em seus olhos. Mas, diante do meu sofrimento - nada fizera. Diante do poder do maior inquisidor da Europa, sucumbira. Sua covardia levara-me a perder nosso filho, minha casa, minha alegria, minha saúde.
Lembrara-me - por frações de segundos - do dia em que o conhecera. Observava-me a banhar-me em um dos rios da região. Nua e sem pudor pois, não via pecado na nudez, pedira-lhe que chegasse mais perto de mim. Conversamos durante horas, a fitar o céu que, pouco a pouco, mudava de cor.
Acordava sob o som das chicotadas e lembrava-me de que tudo fora em vão. Fora usada. Acusada por usar de magia negra, feitiçaria, por pactuar com o demônio.
Ele poderia ter salvo minha vida, mas preferira ocultar-se sob o capuz do manto negro que costumava trajar.
Jamais esquecerei o dia em que - tendo estendido minhas mãos magras e sujas a ele - com a metade do meu corpo sobre uma mesa imunda com odor de carne e sangue - fora violentamente usada por aqueles homens.
Ele a tudo assistira. Indiferente. Frio. Sem demonstrar uma reação em seu rosto de feições fortes que costumava acordar meus instintos mais selvagens antes de tudo acontecer.
Não. Não morrera na fogueira. Lembrar-me-ia disso. Definhara de fome, tristeza, saudades. Conseguira escapar daquele lugar de alguma maneira. Começara a vagar sem rumo pela região. Meu corpo inerte fora encontrado por um casal de idosos tão miseráveis quanto eu. Cuidaram de mim que se fora uma filha.
Nunca soubera do destino de nosso filho. Nunca mais sorrira. Nunca mais chegara a viver novamente. Morrera nova, em um corpo corroído pela dor, pelas marcas da violência sofrida e pela mágoa causada por aquele por quem apaixonara-me loucamente e por quem fora traída, dolorosamente.
Lembro-me disso. Hoje, lembro-me das chamas, do homem orgulhoso, do medo de sua proximidade, da ânsia de vingança...ou de tê-lo novamente em meus braços.
21h34m - 11/02/2013
Os planos que fizemos há 5 anos atrás não puderam se concretizar. Nossa ida à Disney terá de ser adiada por mais algum tempinho. Você sabe o porquê.
Você chegou aos quinze anos forte, atlético, bondoso, dedicado e com um bom caráter, mesmo que ainda em formação. Você faz aniversário e eu ganho o presente.
E por falar em presente, nada posso te dar além de meus ombros onde terás apoio para escalar montanhas e chegardes aonde desejar. Ombros onde, eventualmente, suportarão tua dor. Dor que torná-lo-á um homem ainda melhor.
Sinto-me extremamente emocionada em perceber que - apesar e por conta do que passamos - mantivestes teu corpo ereto e não parastes de evoluir.
Fostes forjado pelo sofrimento. Tua força - ainda que a desconheças - vem dele.
Não nos faltaram momentos que impedissem tua evolução e, por incrível que pareça, com a inestimável ajuda do Plano Superior, dissolvemos com o sal das lágrimas amargas que desceram de teus olhos, as rochas da injustiça e da solidão e curamos as feridas com gotas homeopáticas de coragem e força. Juntos...sempre juntos.
Nada posso te dar, além do que sou. E, sendo o que sou, dar-te-ei minha vida para que sejas feliz. Jogar-me-ia ao abismo da Escuridão para impedir quem quer que fosse de apagar a Tua Luz. Luz que brilhará, cada dia mais intensamente, a medida do teu crescimento. Crescimentos físico e espiritual.
Tua Fé ainda é vacilante. Tuas dúvidas ainda são muitas e, quanto a isto, nada posso fazer. Somente o Tempo mudará este quadro. Tuas venturas e desventuras o farão Crer verdadeiramente Naquele que o criou e que o entregara aos meus cuidados.
Aos quinze anos, começas a viver o primeiro ano do resto de tua vida! Tuas alegrias e tristezas serão intensas. Tuas certezas e incertezas revirar-te-ão pelo avesso. Teus encontros e desencontros parecer-te-ão eternos. E é, em meio a este turbilhão de emoções desencontradas e descontroladas, que tu haverás de encontrar-me, ao teu lado, quieta, quase que invisível, lutando por tua felicidade. Não te abandonarei jamais...
Ainda que eu parta para o "outro lado", encontrarei um caminho para velar por ti, meu amado e valoroso filho!
Não permitirei que tu desistas de teus ideais. Ainda que eu seja chamada de tirana, insensível e repressora, não te perderei para o mundo.
És um tesouro. E a mim, fostes confiado. Minha responsabilidade diante de ti é imensamente assustadora, logo, cobro-te tanto.
Meu amor por ti não espera gratidão. Tão pouco que seja correspondido. Meu amor por ti é inesgotável, infinito. É o que trago de mais puro e genuíno dentro de mim. É a Força que move o meu Ser. Sem você, "minha alegria é triste". Sem você, meu mundo não existe.
Apesar de tudo, bendigo o teu pai por ter-me dado o que daria sentido à minha vida, mesmo que eu não o soubesse naquela época: Você.
Daqui por diante, enfrentarás novos desafios. Novas escolhas. Estarás sujeito às tentações que bem conheço. Tens em mim, além de um amiga, alguém com quem conversar sobre tudo. Sobre todo e qualquer assunto. Já vivi o bastante para saber o que haverás de enfrentar e, ao meu modo, poderei ensinar-te os atalhos para uma vida mais mansa e tranquila.
Sei o que vai em teu coração. Leio-te em teus olhos. Sinto tuas dores e decepções com maior intensidade do que tu mesmo as sente.
Perdoa-me por te sufocares tanto com minhas preocupações! Com minhas exigências e zelo por ti. Se cuido de tua formação espiritual é para que não te percas na Estrada. Se cuido de tua aparência física é para que não sofras o que - outrora - sofri.
Entrego-me a ti para que jamais sintas o que senti. Ao contrário do que a Ciência afirma, tu nada tens. Não herdastes a depressão que, ora, existe e persiste dentro de mim. És são! És forte! És um vencedor!
As heranças que pretendo deixar-te são: o bom gosto musical (herdado de meu pai) e um coração leal. Não deixes que o medo tome conta do teu coração. Tu serás sempre melhor do que eu. Estarei sempre ao teu lado, a cada degrau que subirdes. Nunca te esqueças disto!
Conselhos de uma mãe que conhece um pouco da vida que, de agora em diante, irás conhecer:
1. Fortaleça tua fé. Sem ela, não estaríamos aqui. Sem ela, não estarias completando 15 anos de existência. Seja solidário com os que necessitam. Encarnados e desencarnados.
2. Não procure por amigos. Eles surgirão em tua vida, naturalmente. E, quando isto acontecer, saiba conservá-los. Quem tem amigos, tem um tesouro.
3. Seja humilde, sem deixar-se humilhar. Nunca ofenda! Aos que já aprenderam algo nesta vida, a dor dos que magoam é maior do que a dos que são magoados.
4. Creia no Amor. Ele existe! Apesar de olhar ao teu redor e não teres encontrado (infelizmente) nenhum exemplo de casais felizes, eles existem. E você será feliz ao lado da mulher amada. Eu te asseguro...
5. Não pule etapas! Viva cada dia, intensamente. Tudo tem o seu tempo...a sua hora. Acalma teu coração.
Nunca te esqueças de que todas as vezes que cometi erros fora por amá-lo demais. Te amo mais do que a mim mesma, filho.
Que teu caminho seja repleto de Luz e Paz Interior. E, caso encontres pedras durante a Caminhada, guarde-as em tua sacola para, logo adiante, construirdes teu castelo de Felicidade.
Parabéns!!!
06/01/2012 - 21h02m